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Avaliação Heurística

A avaliação heurística foi proposta por Nielsen e Molich, em 1990, no intuito de encontrar problemas de usabilidade durante o desenvolvimento de sistemas interativos (Nielsen & Molich, 1990 apud Silva & Barbosa, 2010). Para Silva & Barbosa (2010), essa avaliação consiste na inspeção sistemática da interface utilizando diretrizes de usabilidade, chamada por Nielsen de heurísticas, que descreve recomendações para interfaces e interação, usada para encontrar problemas que comprometam a facilidade de uso do sistema.

As heurísticas, diretrizes de usabilidade, propostas por Nielsen e Molich, foram resultadas de uma análise de aproximadamente 240 problemas de usabilidade encontrados por diversos especialistas de IHC durante vários anos (Silva & Barbosa, 2010).

Embora as heurísticas propostas por Nielsen e Molich sejam as precursoras, Moraes e Rosa (2008) afirmam que existem, na literatura, diversas listas de heurísticas, princípios ou critérios ergonômicos que podem ser usados para esse tipo de avaliação. Apesar disso, geralmente, essas listas são genéricas e pouco especificas, sendo necessária uma adaptação para um resultado mais eficaz.

Para a realização de uma avaliação com heurísticas, Nielsen & Landauer (1993), após a realização de um estudo para determinar o número de participantes ideal necessário para encontrar problemas de usabilidade com heurísticas, recomendam de três a cinco avaliadores, que podem identificar em torno de 75% a 95% dos problemas, uma vez que cada avaliador pode encontrar em torno de 35% dos problemas; porém, esses números podem variar de acordo com a experiência de cada avaliador. Um avaliador sem expertise em usabilidade, em geral, identifica 22% dos problemas. Os avaliadores peritos em usabilidade identificam 41%. No entanto, os avaliadores peritos em usabilidade e especializados em avaliação de interfaces identificam até 60% dos problemas (MORAES E ROSA, 2008).

Para a realização de uma avaliação desse tipo, além de determinar a quantidade de avaliadores e definir uma lista de heurísticas para ser usada, Silva & Barbosa (2010) citam as outras atividades envolvidas em uma avaliação heurística, conforme a tabela 3.

Tabela 3: Atividades da avaliação heurística (Silva & Barbosa, 2010, p.318)

Atividade Tarefa
Preparação Todos os avaliadores:
• aprendem sobre a situação atual
• selecionam as parte da interface que devem ser avaliadas
Coleta de Dados e Interpretação Cada avaliador, individualmente:
• inspeciona a interface para identificar violações das heurísticas
• lista os problemas encontrados pela inspeção, indicando local, gravidade, justificativa e recomendação
Consolidação dos resultados e Relato dos resultados Todos os avaliadores:
• revisam os problemas encontrados, julgando sua relevância, gravidade, justificativa e recomendação de solução
• geram relatório consolidado.

Assim como proposto por Silva & Barbosa (2010), Preece et alii (2005) recomenda a realização da avaliação em três estágios:

a) - Preparação (sessão breve e preliminar): nesse primeiro estágio são definidas e organizadas as telas que serão avaliadas e a lista de heurísticas a ser usada; em síntese, se diz aos avaliadores o que e como fazer (Silva & Barbosa, 2010; Preece et alii, 2005).

b) - Coleta de Dados e Interpretação (período de avaliação): cada avaliador, individualmente, inspeciona cada uma das telas com o intuito de identificar se as diretrizes estão sendo seguidas; caso alguma diretriz seja violada, então, é considerado um problema potencial na interface. Assim, o avaliador anota qual diretriz foi violada, em qual tela, em que local, qual a gravidade do problema e uma justificativa. A gravidade do problema é determinada de acordo com uma escala definida por quem está planejando a avaliação, apresentada aos avaliadores ao final da avaliação, para que assim, a escala não interfira ou influencie na decisão do avaliador. Os avaliadores devem realizar, no mínimo, duas inspeções em cada tela: uma para se familiarizar, sentir a interação e ganhar uma visão geral da interface e outra para examinar com mais cuidado (Silva & Barbosa, 2010; Preece et alii, 2005).

c) - Consolidação dos resultados e Relato dos resultados (sessão de resultados): ao final das inspeções, todos os avaliadores se reúnem para discutir os resultados e apresentar um relatório consolidado único, com um consenso de todos. Silva & Barbosa (2010) propõem que nesse relatório final contenha:

  • os objetivos da avaliação;
  • o escopo da avaliação;
  • uma breve descrição do método de avaliação;
  • o conjunto de diretrizes utilizado;
  • o número e o perfil dos avaliadores;
  • lista de problemas encontrados indicando para cada um: o local onde ocorre, descrição, diretriz violada, severidade do problema e sugestão para solução.

Cybis et alii (2010) propõe um processo mais amplo e detalhado do que os três estágios propostos por Silva & Barbosa (2010) e Preece et alii (2005) para realização de uma avaliação heurísticas. A tabela 4 sintetiza as atividades propostas por Cybis et alii (2010, p.214) para a realização da avaliação heurística.

Tabela 4: Planejamento da avaliação heurística (Cybis et alii, 2010, p.214)

Atividade Objetivo
Análise do contexto da avaliação Analisar o contexto identificando os recursos disponíveis, os objetivos da avaliação e os stakholders
Montagem da equipe de avaliadores Determinar a quantidade de avaliadores e os conhecimentos e especialidades que devem ter.
Análise do contexto de operações do sistema Obter informações sobre o ambiente e contexto necessário para avaliação
Análise do conhecimento disponível Determinar as qualidades as expectativas referente a interface e a usabilidade
Reunião de preparativo para a avaliação Em grupos, consolidar e determinar o contexto para avaliação e de operação, critérios para definir prioridades dos problemas, cenário que serão explorados na avaliação, perfil dos avaliadores e tipo de interfaces
Execução da avaliação Cada avaliador, paralelamente, realizar a inspeção de cada tela.
Redação do relatório Redigir relatório contendo os problemas identificados, descrição de cada problema e justificativa e as soluções  sugeridas
Reunião de apresentação do relatório Reunião para consolidação do relatório e dos resultados das inspeções.

 

Uma sessão de avaliação heurística dura em torno de uma a duas horas, dependendo da complexidade das telas. Caso seja necessário treinar os especialistas sobre o entendimento das heurísticas usadas, geralmente, é gasto uma semana. Cybis et alii (2010, p. 212) atenta para outro fator crítico no sucesso da realização das avaliações heurísticas: as diferentes abordagens e estratégias que podem ser adotadas. As abordagens foram propostas por Pollier (1993), resultada da análise de diversas avaliações heurísticas. Ao todo foram identificadas cinco abordagens:

  • Abordagem por objetivos dos usuários: inspeção da interface a partir das tarefas e subtarefas principais para os usuários;
  • Abordagem pela estrutura de interface: inspeção da profundidade ou largura da estrutura de informação, níveis hierárquico da informação e estruturas dos menus;
  • Abordagem pelos níveis de abstração: inspeção da interface seguindo um modelo linguístico estruturado em níveis de abstração, com sequência das ações ou tarefas que os usuários devem realizar;
  • Abordagem pelos objetos das interfaces: inspeção da interface a partir dos elementos de interação, como objetos para manipulação, seleção, edição ou apresentação.
  • Abordagem pelas qualidades esperadas das interfaces: inspeção da interface baseada em qualidades ou nos critérios de usabilidade almejados.

Referências: 

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