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Arquitetura de Informação

A interação humano-computador e a usabilidade de um sistema estarão comprometidas caso as informações e o conteúdo não esteja organizado e apresentado de forma clara e coerente para o usuário (Pressman & Lowe, 2009; Nielsen & Loranger, 2007). Garantir uma experiência de uso de qualidade de um sistema interativo exige organizar e apresentar as informações de modo a facilitar seu acesso, de tal forma que o usuário a encontre intuitivamente (Camargo, 2010; Moraes & Rosa, 2008; Pressman & Lowe, 2009).

Para Preece et alii (2005), a apresentação das informações influencia a facilidade ou a dificuldade de encontrar e/ ou entender a informação; assim, em sistemas interativos, é importante que a informação seja apresentada para que seja imediatamente percebida e compreendida. A importância da organização e apresentação da informação ganha relevância quando sua ausência é percebida. Preece et alii (2005) apresenta duas figuras comparativas para ilustrar essa situação, uma das informações organizadas e a outra não.


Figura 7: Maneiras diferentes de estruturar e apresentar informação. Fonte: Preece et alii (2005, p.96)

Rotular, organizar e projetar uma navegação de alta qualidade objetivando facilitar a realização de tarefas, o acesso intuitivo ao conteúdo e, consequentemente, a facilidade de uso de um sistema interativo é a área de investigação da disciplina Arquitetura de Informação – A.I (Rebelo, 2010). Embora não se possa definir com exatidão o surgimento da arquitetura de informação, visto que as pessoas de uma forma ou de outra sempre a utilizaram, o termo foi cunhado na década de 1960 por Richard Wurman, antes mesmo do surgimento da internet, e aplicado e investigado em sistema interativo, mais especificamente em websites, por Peter Morville e Louis Rosenfeld na década de 1990 (Camargo, 2010).

A arquitetura da informação se utiliza de pesquisas, conhecimentos e métodos gerados pela IHC para proporcionar uma experiência de qualidade no uso de um sistema interativo para os usuários (Rebelo, 2010). Entretanto, assim como a IHC, a A.I é uma área multidisciplinar que utiliza conhecimentos de outras áreas além de IHC, como Ciência da Informação, Ciência da Computação e Comunicação (Camargo, 2010) com o intuito de possibilitar estruturar e organizar ambientes informacionais para ajudar as pessoas a satisfazerem efetivamente as suas necessidades de informação (Garret, 2003 apud Moraes & Rosa, 2008, p. 245).

Embora o termo tenha sido cunhado na década de 1960 por Richard Wurman para se referir à organização de informação de forma geral, o termo atualmente foca sistemas interativos. Um dos motivos apontados por Reis (2007) é a explosão de informação gerada pela produção e distribuição de informações possibilitada pela internet.

A internet e os websites tiveram um importante papel na consolidação da Arquitetura de Informação. Tanto que muitos autores ao definir AI a destacam e a relacionam diretamente a websites. Isso é percebido na definição do Instituto Asilomar Para a Arquitetura de Informação (AIfIA), uma das comunidades mais atuantes na promoção da Arquitetura da Informação.

[A arquitetura de informação é] a arte e à ciência de organizar e rotular websites, intranets, comunidades online e softwares para dar suporte à usabilidade e à facilidades de obtenção de informação (Rosenfeld e Morviller, 1998 apud Moraes & Rosa, 2008, p.23).

Van Dijck (2003); Rodrigues (2001); Brink, Gergle e Wood (2002) também apresentam e definem a A.I com foco na internet:

arquitetura de informação tem como objetivo a construção de websites fáceis de usar, que preencham as necessidades dos clientes e objetivos dos usuário (Van Dijck, 2003 apud Moraes & Rosa, 2008, p.24).

arquitetura de informação se refere a tarefa de criar, mapear e construir um site tornando as informações claramente identificáveis e sua distribuição bem definida (Rodrigues, 2001 apud Moraes & Rosa, 2008, p.24).

arquitetura de informação se refere à estrutura da organização de um website, especialmente como as diferentes páginas do site se relacionam entre si (Brink, Gergle e Wood, 2002 apud Moraes & Rosa, 2008, p.24).

Rosenfeld e Morviller (2004 apud Moraes & Rosa, 2008), considerados os responsáveis pela ascensão da Arquitetura de informação com o lançamento do primeiro livro de A.I em 1994, enfatizam que o foco da arquitetura de informação deve estar relacionado à facilidade de encontrar informação; um fator crítico de sucesso na usabilidade que não está apenas limitada ao conteúdo nem a internet, e sim ao design de sistemas com o intuito de auxiliar pessoas a encontrar o que procuram (Rosenfeld e Morviller, 2004 apud Moraes & Rosa, 2008; Rosenfeld e Morviller, 2004 apud AIFIA, 2011). Nesse sentido, e no intuito de entender o foco da A.I, Carmago (2010) investigou a evolução histórica e sua relação interdisciplinar e, diante de uma análise de diversos conceitos, apresenta uma nova definição, mais ampla e atual:

A Arquitetura da Informação é uma área do conhecimento que oferece uma base teórica para tratar aspectos informacionais, estruturais, navegacionais, funcionais e visuais de ambientes informacionais digitais, por meio de um conjunto de procedimentos metodológicos a fim de auxiliar no desenvolvimento e no aumento da usabilidade de tais ambientes e de seus conteúdos (Camargo, 2010, p.48).

A definição proposta por Carmago (2010) está condicionada à análise da evolução histórica da AI, apresentada na tabela 2.

Tabela 2: Características das três gerações da Arquitetura da Informação.

(Evernden e Evernden, 2003, p.96 apud Camargo 2010, p.37)

Período Histórico Foco Orientado por Conteúdo
1970 e 1980 (1ª geração) Sistemas como aplicações que não rodam na Web dentro de organizações individuais. Aumento de funcionalidade e sofisticação de aplicações que não rodam na Web. Esclarecimento da necessidade de uma abordagem arquitetural; analogias com arquitetura de construção; diagramas 2D simples ou frameworks  fornecendo uma visão incial da arquitetura.
1990 (2ª geração) Sistemas Web como conjuntos integrados de componentes dentro de organizações individuais.  Crescimento da complexidade de sistemas e interdependência; Demanda por reuso de software. Extensões e adaptações de diagramas das arquiteturas da 1ª geração; conjunto de frameworks com modelos de referências industriais.
Depois de 1990 e 2000 (3ª geração) Informação como um recurso corporativo com ferramentas de apoio de TI e técnicas. Surgimento da Internet, e-commerce e aumento nas aplicações business to business; crescimento de interdependência entre organizações; adoção do gerenciamento de conhecimento, Sistemas inteligentes e visão mais holística da informação como um recurso. Definição explícita de princípios e teoria básica; desenvolvimento de arquiteturas multidimensionais; customização de frameworks de informação para as necessidades de organizações individuais; padrões e mapas de informação genérica. 

 

Não existe um consenso claro quanto à definição de Arquitetura de Informação, diversas organizações através de websites, publicações e conferências buscam remover a falta de consenso. Entretanto, Pressman & Lowe (2009) conscientes desse fato, adotam uma definição, dentro da análise de Carmago (2010), que é mais focada nas tarefas e na interação da informação com os usuários.

Arquitetura de informação é o projeto estrutural de um espaço de informação para facilitar o término da tarefa e o acesso intuitivo do conteúdo (Pressman & Lowe, 2009, p.217)

Nesse mesmo sentido, o pesquisador Morrogh (apud Agner 2009) apresenta uma definição atual e também focada nas tarefas e na interação da informação com os usuários:

O foco da AI é o projeto de estruturas (ambientes informacionais) que fornecem aos usuários recursos necessários para transformar suas necessidades em ações para atingir seus objetivos com sucesso (Morrogh apud Agner, 2009, p.90)

Embora não exista um consenso quanto às definições de A.I, a mais consolidada e divulgada é a proposta por Rosenfeld e Morviller (1998) (Camargo, 2010). Rosenfeld e Morviller (1998) definem arquitetura de informação como um conjunto de quatro elementos:

1. Combinação entre esquemas de organização, nomeação e navegação dentro de um sistema de informação.

2. Design estrutural de um espaço de informação a fim de facilitar a realização de tarefas (tasks) e o acesso intuitivo a conteúdos.

3. É a arte e a ciência de estruturar e classificar websites e intranets a fim de ajudar as pessoas a encontrar e a gerenciar informação.

4. É uma disciplina emergente e uma comunidade de prática (community of practice), focada em trazer para o contexto digital os princípios de design e arquitetura. (Rosenfeld e Morviller, 1998 apud Moraes & Rosa, 2008, p.24).

Embora a arquitetura de informação tenha evoluído, assim como seu conceito e foco, gerando falta de consenso, a sua essência ainda está em sua primeira definição, proposta por Wurman em 1975: trata de organizar a informação para torná-la clara (Wurman apud Reis, 2007, p.63). Para tanto, a arquitetura de informação se utiliza de componentes e sistemas interdependentes que objetivam deixar a informação de fácil acesso.

Para Agner (2009, p.97) e Rosenfield e Morville, 2002 (p.1 apud Rebelo, 2010), a A.I é composta por três sistemas interdependentes e que atuam de forma integrada, cada qual tendo elementos e regras próprias:

&9679; Organização: determina o agrupamento, hierarquia e a categorização do conteúdo informacional.

&9679; Navegação: especifica as maneiras e os modelos de navegação e acesso à informação.

&9679; Rotulação: rotula e facilita o reconhecimento de controles. Estabelece formas de representação e apresentação da informação, definindo signos para cada elemento informativo.

Definir estratégias e especificações dos três componentes da Arquitetura de Informação possibilita gerar uma arquitetura clara e coerente ao usuário, e assim, possibilitando o acesso e navegação de modo intuitivo e a facilidade na busca e exploração da informação (Agner, 2009; Rebelo, 2010; Nielsen & Loranger, 2007). Nos próximos tópicos, os componentes serão detalhados.

Referências: 

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