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IHC: Interfaces e Interação

A interface de um sistema é o meio que possibilita a comunicação entre o ser humano e o computador (Pressman, 2006). É a parte visível pela qual o usuário mantém contato físico, têm acesso às funções e se comunica com o sistema interativo (Netto, 2010; Silva & Barbosa, 2010). Uma definição de interfaces muito utilizada é a proposta por Moran (Souza et alii 1999; Prates & Barbosa, 2003):

A interface de usuário deve ser entendida como sendo a parte de um sistema computacional com a qual uma pessoa entra em contato – física, perceptiva ou conceitualmente (Moran, 1981 apud Prates & Barbosa, 2003, p.2)

Dentro do contexto, o contato do usuário com as interfaces envolve dois tipos: contato físico - abrange a parte física e perceptiva da definição de Moran -; e conceitual. No físico, o usuário entra em contato com elementos (como mouse e teclado) que permitem manipular e interagir com as interfaces e perceber, através do contato físico, as mensagens do sistema (através de monitor e autofalante). No conceitual, o usuário realiza uma interpretação baseada naquilo que ele entrou em contato e interagiu e no que ele percebe durante o uso do sistema, permitindo o usuário compreender as repostas do sistema e avaliar se seus objetivos ou metas forma alcançados (Silva & Barbosa, 2010). A figura 2 ilustra esse processo.


Figura 1: Perspectiva para interface. Fonte: Almeida (2011)

Prates & Barbosa (2007), com o intuito de conceituar interface de forma clara apresenta uma definição de interface e acaba explicando e distinguindo-a de interação:

A interface é a parte do sistema computacional com a qual o usuário se comunica, ou seja, aquela com a qual ele entra em contato para disparar as ações desejadas do sistema e receber os resultados destas ações, que o usuário então interpreta, para em seguida definir suas próximas ações. A este processo de comunicação entre usuário e sistema se dá o nome interação (Preece et al. 1994 apud Prates & Barbosa, 2007, p.1).

Prates & Barbosa (2007) apresentam uma ilustração para explicar visualmente o processo de interação e o papel da interface (figura 3):


Figura 2: Processo de IHC (Prates & Barbosa, 2003). Adaptado pelo autor

O conceito de interação, conforme apresentado por Prates & Barbosa (2007), é mais ampla que interface. Interação é um processo de comunicação do usuário com o sistema através das interfaces; envolve tudo o que acontece quando o usuário, por meio da interface, interage com o sistema computacional para realizar tarefas (Silva & Barbosa, 2010). A fim de explicar esse processo, Prates & Barbosa (2003) descrevem como ocorre a interação:

[Na interação o] usuário e sistema trocam turnos em que um “fala” e o outro “ouve”, interpreta e realiza uma ação. Esta ação pode ser tão simples quanto dar uma resposta imediata à fala do outro, ou consistir de operações complexas que alteram o estado do mundo (Prates & Barbosa, 2003, p.2).

Ainda no intuito de compreender e distinguir interação e interfaces, Prates & Barbosa (2003) consideram como interação o processo de comunicação no qual o usuário interage com a interface, percebe e interpreta as mensagens do sistema resultados da interação e avalia seus objetivos; e interface como o sistema de comunicação utilizado no processo de interação, podendo ser uma ferramenta ou um meio que fornece instrumentos ou possibilita a interação usuário-sistema.

Rebelo (2009) atenta para o fato crucial entre interação e interfaces: são conceitos diferentes e dependentes. Interação é um conceito mais amplo que interface, contudo, os dois conceitos são dependentes um do outro. Para ocorrer a interação entre o usuário e o computador, é necessário que exista um meio que permita a comunicação e a interação: a interface. Assim, entendendo a interação, é mais fácil projetar sistemas usáveis, seguros e funcionais. Por isso a IHC estuda a interação entre usuários e computadores sob a perspectiva do autor principal: o usuário, focando as ações que ele realiza usando a interface de um sistema, e suas interpretações das respostas transmitidas pelo sistema através da interface (Prates & Barbosa, 2003, p.1).

Referências: 

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