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IHC: histórico da área

Não se sabe ao certo a data de surgimento da IHC, porém, costuma-se estabelecer a origem desse campo de estudo entre a década de 1970 e 1980, com a junção das disciplinas de Ciência da Computação, Psicologia e Ergonomia no intuito de compreender como o uso dos computadores poderia melhorar a vida dos usuários (Moraes & Rosa, 2008; Amaral & Nascimento, 2010; Baranauskas & Rocha, 2003).

Entretanto, a base para o surgimento da IHC teve início durante a Segunda Guerra Mundial, com a descoberta, pelos cientistas da Força Aérea Inglesa, que algumas falhas ocorridas durante o uso de sofisticadas aeronaves, mesmo por pilotos experientes, eram causadas pela não adequação às necessidades e características dos usuários, e que essas falhas e erros poderiam ser reduzidos com controles mais intuitivos e lógicos. No intuito de estudar essa problemática – a adequação dos equipamentos, máquinas e produtos para a necessidade dos usuários – surgiu a disciplina de ergonomia (Amaral & Nascimento, 2010).

A ergonomia evoluiu no decorrer das décadas de 1950 e 1960, após o fim da guerra, tendo, principalmente, as pesquisas concentradas no desenvolvimento de eletrodomésticos e automóveis mais fáceis de serem utilizados (ibidem).

Durante as décadas de 1970 e 1980, os pesquisadores ergonômicos começaram a ter interesse pela psicologia cognitiva , buscando adaptá-la para projetos de interface com o usuário (Moraes & Rosa, 2008). Assim, os pesquisadores começaram a criar novas metodologias, métodos e técnicas para identificar problemas relacionados à utilização de sistemas (Amaral & Nascimento, 2010). Nesse período, com o surgimento de monitores, computadores pessoais e uma onda de tecnologias da computação interativas, surgiram novos desafios e paradigmas específicos para interfaces interativas (Preece et alii, 2005).

Com a evolução tecnológica e diante da necessidade de foco nos estudos das novas tecnologias interativas e desafios, é adotado o termo IHC, tendo um enfoque mais amplo que a ergonomia e abordando as comunicações ou interações entre usuários e computadores (Rebelo, 2009; Baranauskas & Rocha, 2003).

No final da década de 1980, além da psicologia cognitiva, que possibilitou o surgimento da engenharia cognitiva, foram utilizados estudos sobre etnometodologia, teoria da atividade e outras pesquisas sobre cognição, buscando entender a interação do humano com o computador (Silva & Barbosa, 2010).

Entre a metade da década de 1980 e no decorrer da década de 1990, métodos e técnicas de usabilidade começaram a ser utilizados para testar e projetar interfaces de sistemas interativos fáceis de serem usadas, garantindo uma experiência de qualidade no uso desses sistemas (Moraes & Rosa, 2008). Mais recentemente, pesquisas sobre semiótica foram utilizadas na área de IHC (Silva & Barbosa, 2010).

No Brasil, na década de 1990, começaram a surgir os primeiros estudos de IHC realizados por pesquisadores das áreas de Inteligência Artificial e Engenharia de Software, e no decorrer dos anos, pesquisadores das áreas de Ciência de Informação e Antropologia começaram a contribuir para o desenvolvimento e o estabelecimento da IHC no país. Em um curto período de tempo, a IHC no Brasil se consolidou e criou uma grande comunidade ativa que organiza eventos de escala continental, dando visibilidade as pesquisas brasileiras sobre IHC.

A pesquisa em IHC no Brasil tende a focar cada vez mais na abordagem de projeto centrado no usuário, considerando a Usabilidade e a Engenharia Semiótica como fatores fundamentais para o desenvolvimento de sistemas e interfaces. Isto implica conhecer não somente a tecnologia, mas, fundamentalmente, o uso contextualizado que o ser humano faz da tecnologia (Souza, 2004 apud Amaral & Nascimento, 2010, p.24).

Preece (1994 apud Rebel, 2011) atenta para um fato importante ocorrido na evolução da IHC; atualmente, IHC é a abreviação para Interação Humano-Computador, porém, devido ao histórico e à má interpretação dos termos interface e interação, IHC, por alguns atores, é equivocadamente interpretado como interface Humano-Computador. Baranauskas & Rocha (2003) adverte que interface é um termo pouco amplo e que não considera fatores humanos, portanto, interação é o termo mais adequado para a área de IHC, embora interface e interação estejam interligadas e não possam ser estudados separadamente.

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